O Google faz mal para o cérebro?

Publicado por Dygransoft em

Quando uma ferramenta se torna indispensável, ela se transforma em uma muleta. Não se esqueça de como pensar sem ela

 

O cofundador do Google Sergey Brin reconhece que a tecnologia pode acarretar mudanças positivas e negativas, mas argumenta que a tecnologia vai tornar o mundo um lugar melhor.

 

Brin fez essa afirmação na carta de 2012 dos fundadores do Google, publicada em 25 de abril, no feed do Google+ (não confunda com a última carta dos fundadores de Larry Page de abril de 2012), antes de concluir a nota de atenção.

 

“Ainda, nós precisamos continuar a trabalhar duro para garantir que nossa contribuição seja decisivamente benéfica – ajudando as pessoas a levar suas vidas de maneira mais fácil, enriquecedora e satisfatória”, escreveu ele.

 

A atitude dele, acredito eu, é a correta. Isso dificulta negar que os avanços de tecnologia melhoraram a qualidade de vida de muitas pessoas. São muitas as tecnologias transformadoras: vacinas, antibióticos, imagens médicas, anestesia, viagens aéreas, ciências da agricultura, saneamento, computadores, comunicações e outros avanços que verdadeiramente tornaram a vida mais fácil e menos precária para um grande número de pessoas.

 

Ao mesmo tempo, há algo profundamente perturbador apontado por Brin. Ele observa que quando Page e ele começaram o Google há 15 anos, eles contribuíram para o desenvolvimento ode um item exótico: o celular, um dispositivo que tem transformado a vida das pessoas.

 

“Em 1998, os encontros tinham que ser pré-agendados, viagens deveriam ser cuidadosamente planejadas, um mapa de papel deveria estar em mãos para se chegar a um ligar desconhecido e o conhecimento estava contido na sua mente”, explicou Brin. “Hoje se leva um minuto para se alcançar um amigo em uma quadra, reservar uma viagem, encontrar o caminho a partir de qualquer localização do mundo e descobrir tudo a respeito de quase tudo.”

 

Imagine ter todo o conhecimento em sua mente. E se você estivesse desenhando em um lugar em branco, apenas peça ao Google para imaginar isso a você. Eu duvido que Brin realmente quer celebrar a mente com o um esconderijo temporário para a busca de dados do Google. Mas vale examinar a facilidade com que nós agora podemos terceirizar nossa capacidade de pensar.

 

Outros já exploraram esse fenômeno. O escritor Nicholas Carr inclusive possui um artigo sobre isso, chamado “O Google está nos deixando burros?”.

 

Eu não acho que existe uma resposta de sim ou não para essa pergunta reacionária, mas há algo considerável sobre ela. Em uma era de conectividade de rede e dispositivos móveis, a capacidade de pesquisa pode servir como um substituto para o conhecimento.

 

Dizem que você é o que você come. Assim, não é menos verdade que você é o que você sabe. Geoge Santayana escreveu “Aqueles que não conseguem lembrar do passado estão condenados a repeti-lo”. A versão “tl;dr” pode ser “Aqueles que não lembram estão condenados.”

 

O Google é mais perigoso quando nos rendemos a ele. E apesar de que a companhia se parecer bem intencionada (a maioria do tempo, se você não for um concorrente), nós devemos isso a nossa dignidade e autonomia para questionar o futuro da conveniência e da satisfação que o Google, ou qualquer outra empresa de tecnologia, desenha para nós.

 

Considere a nuvem. O Google há anos tem promovido um paradigma onde os dados vivem remotamente, onde podem ser acessados a qualquer momento por qualquer dispositivo conectado à rede. Esta é a proposta de valor do Chrome OS. E é apropriada para determinados cenários, como viajar em uma região onde há apenas um computador ou se seu telefone for roubado.

 

Mas pode não parecer a única opção. Um mundo onde há pouco ou nenhum armazenamento local de dados em dispositivos é um mundo de dependência amarrada. Nele você tem a mesma desvantagem de um mundo onde o dinheiro não existe, onde ele é eletrônico: é um lugar de impotência e vulnerabilidade, envolto em um brilho de alojamento.

 

Os carros automáticos do Google têm benefícios óbvios em termos de segurança, gestão do tráfego e de conveniência. Ao mesmo tempo, eles sugerem um mundo profundamente diferente, onde o curso é monitorado, onde a propriedade privada e a liberdade de movimento e ação tenham se rendido, onde o acesso ao hardware é restrito para sua proteção. Você tem o direito de comprar, mas não de modificar, experimentar ou explorar.

 

E os carros de autocondução podem até não ser a melhor opção para resolver os problemas modernos de trânsito: já temos um tipo de carros automáticos, na forma de trens de metrô. A partir de uma perspectiva dos negócios, o Google pode gostar da ideia de vender hardware e serviços para milhões de carros autônomos. Mas a melhor maneira de reduzir o número de carros nas ruas pode ser investindo em ônibus e trens autônomos, ou seja, investindo em infraestrutura pública.

 

Ou reflita sobre o Google Glass: o Google está vendendo seus óculos conectados à rede por US $ 1.500, para que os desenvolvedores obtenham restrições: “Você não poderá revender, emprestar, transferir ou dar o seu [Google Glass] para qualquer outra pessoa”, dizem os termos da empresa sobre o estado do serviço. Early adopters devem aceitar qualquer atualização de software do Google, mas não podem modificar o dispositivo ou software. O fechado é o novo aberto.

 

O Google claramente tem muito trabalho a fazer se ele realmente quer ajudar as pessoas a “levar vidas de maneira mais fácil, enriquecedora e satisfatória.” E o mesmo acontece com todos nós: temos que ter a certeza de que possuímos os conhecimentos e capacidade de realizar atividades, online e offline, sem o Google. Só então, quando estivermos livres para abandoná-lo, poderemos apreciar quando o Google estiver melhorando nossas vidas e quando não estiver.

 

por Thomas Claburn | InformationWeek EUA

 

Fonte: http://itweb.com.br


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